O bairro foi um vilarejo de pescadores de onde brotou uma infinidade de restaurantes especializados em frutos do mar, que atraiu dezenas de artistas inspirados pela cultura meio caiçara e por um horizonte cheio de tons e contornos, mediado pela Restinga da Marambaia.
As tecnologias de sobrevivência tradicionais – pesca artesanal, horticultura e criação de animais – equilibravam de alguma forma a falta de benefícios infra-estruturais e os raros serviços sociais. O perfil da pobreza e miséria ainda reflete a decadência do padrão rural-pesqueiro: alcoolismo, analfabetismo e baixa escolaridade, informalidade, desemprego ou subemprego. Mas a transição deste perfil para um bairro dormitório deu-se em decorrência do assoreamento da Baía de Sepetiba, que comprometeu significativamente a atividade pesqueira e a ocupação desordenada do solo com loteamentos irregulares e invasões, desestabilizando as atividades geradoras de renda.
A pesquisa Educação da Primeira Infância, da Fundação Getúlio Vargas (2006, p.5), constatou que o bairro é um dos mais deficitários do Rio de Janeiro em equipamentos sociais para educação infantil (0 a 6 anos). Agravou-se também a situação material da vida cotidiana. As famílias pobres vivem pior em relação às condições de moradia, saneamento básico, abastecimento de água e mesmo de manutenção de serviços essenciais, e a carência de oportunidades de geração de emprego e renda aumenta a vulnerabilidade da população local.
É este o ambiente em que as crianças da Fundação Xuxa vivem e convivem.
Guaratiba, com população estimada em 157.145 habitantes (fonte: www.riocomovamos.org.br). Segundo o Plano Estratégico do Município do Rio de Janeiro (1998), Pedra de Guaratiba, sub-bairro de Guaratiba, foi o bairro com maior crescimento demográfico na década de 1990: 43%. Nos últimos três anos, segundo informações da Coordenadoria Regional da Educação, cresceu em 35% a procura por matrículas nas escolas municipais, responsáveis pelo Ensino Básico na região, mas são visivelmente perceptíveis na vivência e convivência local.
Esses dados embora ainda não incluídos nos documentos oficiais, foram obtidos extra-oficialmente na rede de proteção local, reuniões e eventos promovidos pelo Núcleo de Defesa e Proteção a Criança e do Adolescente de Guaratiba (NUDECA), criado em julho 2001, como um espaço de prevenção e proteção às VIOLAÇÕES DE DIREITOS contra crianças e adolescentes na região.
