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28/09/2016

Fundação Xuxa Meneghel e Rede “Não Bata, Eduque!” incentivam o afeto e educação sem violência na 1ª Semana do Bebê DEGASE

A infância e a adolescência são fases essenciais no desenvolvimento humano e social. Esses públicos precisam ser apoiados e inspirados a buscar uma nova perspectiva de vida. Dentre os dias 19 e 25 de setembro, o Departamento Geral de Ações Socioeducativas – DEGASE recebeu a 1ª Semana Estadual do Bebê para entender e estimular a garantia do vínculo de mães e pais adolescentes com seus filhos e filhas ainda na primeira infância.

O pensamento de trabalhar a dinâmica da Semana do Bebê nas unidades de medidas socioeducativas foi para refletir os desafios da maternidade e paternidade na adolescência. O contexto do cumprimento dessas ações reflete a deficiência de atitudes voltadas à primeira infância no sentido do direito à sobrevivência e desenvolvimento até os seis anos de idade. E para isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF propôs a atividade como uma mobilização em prol desse assunto na pauta prioritária nas agendas dos serviços e políticas públicas.

Segundo dados do Novo DEGASE, só no Rio de Janeiro, 16% dos 1.514 meninos de 12 a 18 anos cumprem medidas socioeducativas de internação. Entre as meninas, 11% são mães de crianças de zero a seis anos, ou seja, na primeira infância.

A proposta de realização desse evento foi inspirada na 1ª Semana Estadual do Bebê em 2015 na Unidade Materno Infantil do presídio Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó – Bangu. A repercussão e os resultados da primeira iniciativa foram tão positivos, que, ao final do ano passado, a ação no DEGASE começou a ser articulada entre diversos parceiros. Dentre eles está o UNICEF, juntamente ao próprio Departamento Geral de Ações Socioeducativas, Fundação Xuxa Meneghel, as Secretarias de Saúde, Educação e Prevenção à Dependência Química, Ministério Público, Defensoria e Tribunal de Justiça, Rede Nacional Primeira Infância e o Núcleo de Saúde do Adolescente da UERJ.

Ao longo dos dias que se sucederam o evento, as instituições e organizações participantes mediaram oficinas, debates e apresentações culturais para os adolescentes, suas famílias e as equipes técnicas nas seis unidades do Departamento Geral. A Fundação Xuxa Meneghel esteve presente em alguns dos sete dias de atividades.

No primeiro, 21, os meninos da Escola João Luiz Alves – JLA receberam alguns integrantes masculinos do Projeto Adolescentes Liderança, da Fundação, para uma roda de diálogos sobre educação sem violência. O encontro foi embasado na metodologia de prevenção de castigos físicos da Rede “Não Bata, Eduque!”. Já no dia 22, duas rodas aconteceram simultaneamente com as meninas do Centro de Socioeducação Professor Antonio Carlos Gomes da Costa – PACGC: uma da RNBE, com o mesmo tema trabalhado com os garotos no dia anterior, e outra focada nos cuidados usando o fortalecimento de vínculos do Projeto Entrelaços como ponto de partida para o encontro.

Foram momentos produtivos e de muita troca de experiências. Os Adolescentes Liderança Igor Gabriel, Jeferson Gomes, Tiago Araújo e João Vitor Souza foram os que conduziram as rodas com os meninos do JLA. Vitória Luiza e Isabelle Furtado estiveram envolvidas na dinâmica da Rede com as meninas do PACGC. Ambos os grupos tiveram o acompanhamento de profissionais da Fundação, que auxiliaram na mediação de todo o processo.

“Eu acho que foi bem difícil tanto pra mim, quanto pra eles. Porque, assim, eles não se sentiam à vontade para falar ou se expressar. E a dificuldade aumentou porque foi a minha primeira roda e eu achava que não poderia olhar nos olhos deles por medo de se sentirem acuados ou me perceberem como ameaça, mas eu não podia estar lá e não olhar diretamente pra eles. Mas correu tudo bem! Foi bem legal!”, conta o adolescente João Vitor Souza, 16.

A atividade com o Entrelaços partiu de uma conjuntura um pouco diferente. O projeto visa a interação dos cuidadores e cuidadoras com os bebês e as meninas. Esse exercício deu-se pela valorização do cuidado não só com o outro, mas consigo também. As garotas puderam entender a importância de olhar para si como pessoas de qualidades e capazes de transmitirem sensibilidade e receberem carinho.

Suzana Andriolo, Estagiária de Psicologia, e Bianca Aguiar, Assistente Social, conduziram a roda do Entrelaços representando a Fundação Xuxa. A estudante enfatizou as dificuldades vividas naquela circunstância, mas também demonstrou a sensação de missão cumprida ao abordar a circulação da palavra como incentivo e estímulo para terem perspectivas positivas ao saírem daquela realidade.

“Foi inédito tanto para elas, quanto para gente (equipe). A gente entrou em um contexto de Semana do Bebê, no qual as meninas que estavam lá não viam seus bebês há muito tempo e não recebem visitas de suas famílias. E isso foi muito desafiador, porque trabalhar o assunto com pessoas que, na maioria, não sabiam o que era afeto foi difícil. Grande parte delas não consegue pensar como é possível passar esse sentimento para os filhos porque nunca sentiram isso”, relata Suzana.

A Semana do Bebê foi um impulso muito grande de continuar cada vez mais para quem já trabalha com os Direitos Humanos e na área da infância e adolescência. Foi possível ver como a infância e a adolescência são subjulgadas pelos problemas das políticas públicas que afetam a sociedade brasileira como um todo. A violação de direitos, os maus tratos e a superlotação das unidades são indicativos de um local onde esses meninos e meninas deveriam ressignificar suas vidas, mas, ao contrário disso, percebem ainda mais os olhares de criminalidade e descaso por muitos. Mas ainda há poucos que notam neles e nelas a essência e o vigor da juventude na vontade de mudar – caso tenham a oportunidade para exporem suas potências.